Depois do primeiro anúncio sobre Dead Island, me veio na cabeça apenas uma frase: mais um jogo de zumbis. Mas e se eu disser que ele é O jogo de zumbis, uma surpresa no mundo dos games?
A Techland não inovou em Dead Island, mas fez tudo o que esperávamos de um jogo com mortos-vivos. A desenvolvedora conseguiu juntar o que de melhor existia no mercado de RPGs, horror de sobrevivência, sand box e inseriu uma engine gráfica fenomenal e um enredo convincente. Para quem não conhece o game, Dead Island, como seu nome já diz, se passa em uma ilha infestada por zumbis. O jogador encarna um personagem que fará de tudo para não ser morto e contará com a ajuda de sobreviventes.
O jogo possui uma identidade de sand box, não somente pelo poder que o jogador possui em explorar a ilha, mas também com relação as missões. O personagem principal encontrará diversos sobreviventes e fará pequenos serviços para ganhar pontos de experiência e, ao mesmo tempo, dinheiro para poder se sustentar na ilha tomada pelos mortos-vivos.
Se prepare, porque o sangue vai voar pela tela e os gritos de horror vão tomar sua mente. A Techland não se omitiu na questão que se refere a violência. Quem jogou Dead Space vai relacionar as atrocidades cometidas pelos monstros da aventura espacial com o feito pelos zumbis de Dead Island. Aliás, a desenvolvedora trouxe algo que deu muito certo em Dead Space. É possível destruir braços, pernas e até decepar a cabeça dos mortos-vivos. O interessante é que esta pode ser uma excelente estratégia de jogo, já que quando menos você usar suas armas, mais tempo elas vão durar.
Ao começar a partida, o jogador poderá escolher entre 4 personagens, sendo eles bem diferentes um do outro com relação a suas características. Vale destacar que desde o início do jogo fica claro que a evolução do personagem será determinante para o desenvolvimento de certas características.
Para evoluir, o jogador conta com dois fatores: aquisição de pontos de experiência, que são acumulados ao matar zumbis e ao completar missões. A cada nível alcançado, o jogador poderá caracterizar seu personagem da melhor forma que quiser, como melhorar sua força, sua resistência e outros. Vale ressaltar a inclusão destes itens, já que durante a aventura, alguns tipos de ações realizadas pelo personagem custarão resistência, como dar golpes, correr e pular. Portanto, fique de olho, pois se você estiver com pouco fôlego poderá se complicar na aventura e principalmente se estiver cercado de zumbis. Outro fator interessante é que ao evoluir certas características, o personagem pode ganhar golpes especiais como o “fury”, onde seu personagem terá um momento de fúria e poderá destruir tudo o que estiver em sua volta rapidamente. Aliás, existe uma característica bem interessante, chamada “tackle”, que remete ao futebol americano. Se o personagem estiver correndo em direção a um zumbi, ele poderá derrubá-lo no chão.
Falando em atacar zumbis, o personagem terá que criar uma boa estratégia com suas armas, principalmente no começo do jogo. Como visto na série Fallout, ao utilizar uma arma, seja ela um bastão, uma pá ou uma foice, o objeto vai se desgastando, fazendo com que você tenha que repará-lo.
Por ser um sand box, o jogador terá muito o que interagir com o cenário. O jogo é um prato cheio para aqueles gamers que gostam de vasculhar cada canto de um ambiente, principalmente porque muitos itens serão encontrados. É possível achar armas, dinheiro e peças de aparelhos que poderão ser utilizados na construção de uma arma (lembrou de Fallout novamente?).
Uma das principais queixas dos jogadores de games do gênero sand box está na repetição das sidequests. Aqui entra um dos pontos positivos de Dead Island, que mesmo colocando à disposição dos jogadores diversas missões secundárias, consegue com maestria tirar a repetição encontrada nos títulos de mesmo gênero. Os artifícios são inúmeros, como o de criar um enredo interessante, além da diversificação ds objetivos dentro das missões. O jogador poderá escoltar um personagem até um ponto determinado, achar algum item perdido por um dos sobreviventes, entre outros, sem contar a aventura principal.
Munido a tudo isso, um dos fatos mais preocupantes é que em grande parte da aventura o jogador terá pela frente um combate corpo à corpo com os mortos-vivos. No início, o jogador poderá sentir um pouco de dificuldade, mas rapidamente terá controle sobre as ações do personagem. Nas opções de jogo é possível configurar a velocidade da câmera de visão, algo muito bom para quem sofre de fotossensibilidade.
Se por um lado o enredo é interessante e cativante, o mesmo não pode ser dito do carisma dos personagens que podem ser utilizados como coadjuvantes. Poucas frases são ditas pelo personagem principal durante a aventura, o que o torna frio e sem graça. A sugestão poderia ser um menu para a criação dos personagens, como existe em diversos jogos de RPG. Mesmo assim, este fator não é relevante ao ponto de estragar a aventura.
Fácil entendimento
Um dos pontos que eu acho importante em um RPG foi o da desenvolvedora conseguir mostrar o seu vasto conteúdo de informações, como armas, inventário, desenvolvimento do personagem e side quests de uma forma simples de se entender e de interagir e, em Dead Island a missão foi cumprida da melhor forma possível. O jogador não precisará de muito tempo para entender os menus. Logo de cara já dá para entendê-los e este ponto é importantíssimo para que o jogador possa se preocupar com o que realmente importa em um jogo, ou seja, a aventura e a diversão. Talvez, o ponto negativo tenha ficado para o mapa, onde não é possível dar muito zoom.
Durante a aventura, o som retrata o ambiente de uma ilha tropical, pregando bons sustos durante o jogo, com os gritos ensurdecedores dos mortos-vivos. Em compensação, a trilha presente no menu é mórbida e muito enjoativa.
Outro ponto positivo de Dead Island irá agradar aqueles que não possuem uma grande fluência no inglês. A linguagem é de fácil entendimento durante toda história e apenas prejudicada pelas minúsculas legendas durante as conversas entre os personagens. Caso tenha ficado algum detalhe para trás, basta entrar no menu do jogo e verificar o que foi dito, principalmente se for necessário se lembrar do objetivo de uma das missões.
Bugs
Apesar dos pontos positivos, Dead Island peca em alguns aspectos. No quesito gráfico, apesar da engine apropriada e muito bem escolhida, em determinados cenários fechados, parte da tela congela, não trazendo ao jogador uma experiência visual agradável. É possível perceber, que ao se tratar de um sand box, diversos bugs foram achados. Vale destacar que não estou falando dos bugs da versão de PC, pois eles já foram consertados.
Percebe-se claramente que o trabalho de teste feito no jogo não foi bem feito e é possível encontrar alguns glitches na partida. Vale ressaltar que em jogos do gênero sand box este trabalho é dificultado pela enorme variável de situações possíveis durante a partida.
Durante as 20 horas de jogo, encontrei apenas um bug preocupante. Durante uma das quests, em que era necessário levar uma sobrevivente para um abrigo, a personagem não se movia do lugar. Para resolver a situação tive que reiniciar o jogo para que o problema fosse resolvido.
Alguns problemas de cenário podem ser encontrados, caso o jogador vasculhe todos os cantos do ambiente. São partes do corpo que atravessam objetos, como visto nos antigos jogos. O game também possui alguns problemas de roteiro, principalmente no desenrolar da aventura. Existe uma parte específica onde pode ser notado isso, mas para não soltar spoilers, vou apenas dizer que este problema ocorre no final do terceiro capítulo.
Curiosidade
Os desenvolvedores da Techland colocaram em Dead Island diversas referências a cultura geral e a cultura gamer. O mais legal é que estes fatos podem ser facilmente percebidos. Algumas missões fazem referência ao mundo da música e do cinema, como seus próprios nomes já dizem. O mesmo pode ser dito do nome de algumas conquistas.
- My Precious - referência ao personagem Golem, de Senhor dos Anéis;
- Toy Story - referência ao filme Toy Story;
- Lighty My Fire - referência direta a música da banda The Doors;
- Welcome to the Jungle - referência direta a música da banda Guns N’ Roses;
- No Raccons Here - referência a cidade ficticia de Racoon City, presente nos jogos da série Resident Evil;
- Together in the Light - analogia contrária ao título Alone in the Dark;
- Zed’s Demise - referência ao filme Pulp Fiction, de Tarantino.
Resolvi criar um capítulo à parte, pois o multiplayer de Dead Island é um fator que merece destaque. Isso não significa que o jogo não seja divertido no modo offline. Pelo contrário. Se você gosta de jogar sozinho, de forma concentrada, o título vai divertí-lo por horas, mas se curte um jogo online, principalmente com seus amigos, Dead Island fará isso com primor, utilizando a mesmo modo já encontrado em Borderlands.
No multiplayer de Dead Island é possível jogar com mais 3 pessoas, independente se o personagem for o mesmo de seu amigo. Para não prejudicar o desempenho da campanha offline é sempre importante entrar no lobby do jogador que estiver mais “atrasado” na aventura, pois desta forma não se perderá elementos do roteiro.
Vale destacar, como foi dito anteriormente, que o sistema no modo multiplayer para as conquistas de pontos de experiência, itens e dinheiro, segue o encontrado em Borderlands. Ou seja, para não ocorrer concorrência na aquisição de itens, sempre que um jogador conseguir uma carteira recheada de dinheiro, o mesmo valor será fornecido para todos os participantes do jogo. O mesmo ocorre na aquisição de itens e XP. Se você quiser, o modo multiplayer permite a troca de armas e itens com seus amigos durante a aventura.
Conclusão
Eu sempre aguardei um jogo de zumbis divertido e com imersão, e parece que finalmente fui agraciado com ele. Dead Island possui excelentes gráficos, uma jogabilidade simples e elementos de RPG na medida certa, sem complicar o entretenimento do game. Ao começar a jogar Dead Island a sensação é a de fazer quests e não querer parar mais.